Quando o cinema surgiu, lá em 1895, “videntes de plantão” disseram que seria o fim da pintura. Não foi. Já quando o rádio surgiu (no começo do século XX, em termos práticos), os “videntes da vez” podem não ter decretado a morte de nenhum antecessor, mas é claro que muitos torceram o nariz – ou melhor, os ouvidos – para um aparelho do qual “emergiam vozes e outros sons”.E isso não foi só aqui no Brasil, não.
Mas puxando a história para cá, quando a TV surgiu, nos anos 50, o fim do rádio (então popularérrimo) foi decretado. Pode ter sofrido um grande declínio, mas não morreu. Parafraseando o sambista Nelson Sargento, “agonizou, mas não morreu”.
Pois bem. Quando a Internet começou a ser a menina dos olhos no Brasil, lá pelo fim dos anos 90, começou-se a dizer que, primeiro, as mídias impressas iriam sucumbir – afinal, não seriam páreo para a velocidade da linguagem web.
Bom, jornais, revistas e afins ainda continuam por aí.
Finalmente, a mesma TV que abalara o rádio em outros carnavais, graças ao fenômeno da convergência, aparece agora muito além da “caixa-com-tubo-de-imagem”: no telefone celular... e também na Internet. A mesma Internet que, dizem, ameaçou de morte os veículos impressos.
Será, então, que as novas formas de se ver TV podem matar a forma tradicional? Creio que, seguindo o histórico dos outros meios de comunicação, a resposta é não. TV via celular e via Internet não vão matar a TV convencional. Mas por que?
Primeiro, porque aparelho “normal” de TV todo mundo – ou quase todo mundo - tem. Existem diversos modelos, com diversos tamanhos, produzidos com diversas tecnologias, para diversos bolsos. Aparelho de TV “pesadão”, aparelho fininho de LCD, TV de plasma. As mudanças que a alta fidelidade digital vai provocar estão apenas engatinhando. Ou seja, a TV convencional ainda tem muita história para contar.
Já a TV na Internet, não podemos negar, é sim, uma realidade. Quase todo o portal já conta com sua própria TV. De fácil acessibilidade, permite interatividade... Tudo ao clique de um mouse. Porém, só para quem tem acesso a Internet. E aqui no Brasil, sabemos, isso não é unanimidade. Por mais que sejamos um país de muitos internautas, não somos um país de internautas. A penetração da web nesse Brasil de dimensões continentais não é a mesma da TV convencional.
Somos, na verdade, vários “Brasis”. Lugares com realidades totalmente distintas. Como falar para toda essa gente? Ou melhor, como chegar a toda essa gente?
Pela TV convencional, é fácil. Basta ligar o aparelho. Que se faz presente em mansões, barracos, botecos de esquina, aldeias indígenas...
A Internet, por enquanto, precisa de um arsenal mais “complicadinho” para ser acessada: computador (ou celular), provedor (ou operadora de telefonia) e por aí vai. Não tem a mesma facilidade de alcance, portanto.
Sendo assim, a coexistência entre as duas formas de TV é pacífica, ainda. Ainda e por muito tempo, eu arriscaria. Pelo menos, no Brasil.
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009
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