Sexta-feira, Setembro 26, 2008

No lugar do outro

Certas coisas parecem acontecer para explicar outras. Hummm, acho que comecei o texto mal em clareza, mas hoje vi uma situação que sempre teorizei ocorrer na prática.

Estava no ônibus, sentada perto da janela, quando uma mulher entrou. Passou pela roleta bebendo um copo de guaraná natural e sentou-se no banco em frente ao meu, também ao lado da janelinha.
Assim que ela acabou seu guaraná, abriu a janela e jogou o copo. Na hora, pensei: "que porca!"... Mas apenas pensei. Não falei nada. Girei a cabeça negativamente e talvez tenha soltado um muxoxo.

Minutos depois, a tal mulher, falando ao celular, começou a chorar. Pude ver claramente que limpava as lágrimas. Cheguei a ouvir algo do tipo: "o tempo passa e eu tô aqui, na mesma" (sou intrometida, né?). Daí pude perceber que o emocional dessa moça estava em frangalhos. Ela saltou do ônibus ainda chorando. E, então, saquei que certas atitudes refletem claramente nosso momento psicológico (cá estou, bancando uma psi da vida).

Sabe quando você vocifera: "Se eu tô na merda, por que tenho que pensar no resto da humanidade?" - ou algo mais ou menos assim? Sempre tive essa teoria em mente. Quando a cabeça vai mal, o resto perde o sentido... A alegria alheia passa a incomodar e corre-se o risco de virar uma "erva venenosa" em potencial.
Seguindo essa cartilha, para que se preocupar com o bem-estar alheio? Para que se preocupar com o mundo? Que sentido tem o mundo, porra? (o "porra" faz parte do tom de revolta)

E assim, me coloquei no lugar dessa mulher. Não vou ser hipócrita de dizer que não jogaria o copo pela janela... Já descontei no mundo tanto problema pessoal... E que atire o primeiro copo de guaraná natural quem nunca descontou!

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