Domingo, Dezembro 30, 2007

História

Guardava medos. Não sabia de quê, exatamente, mas temia muitas coisas. Das mais sérias às mais banais. De morte à barata, para ser mais clara. Nunca teve vergonha de admitir que sentia medo.

Porém, de uns tempos para cá, esses medos foram aumentando, aumentando, fazendo com que ela perdesse o controle. Medo de ir à esquina, medo de ficar sozinha. A vida foi ganhando tons acinzentados.
Tentou todas as formas possíveis de terapia: enfrentou uma bela trouxa de roupas no tanque, pilotou fogão, varreu a casa, deitou no divã, se empanturrou de pílulas, comprimidos, drágeas e cápsulas gelatinosas.

Foi quando, por assim dizer, de repente, percebeu que as "respostas" estavam nela mesma. Não, não leu Paulo Coelho, mas percebeu que o clichê fazia sentido. Do que adiantava mergulhar em tantas supostas terapias, se era ela mesma a razão, o motivo, o porquê dos seus supostos problemas? Sacou que a velha máxima "se entrou, vai ter que sair", encaixava-se perfeitamente no momento em que (sobre)vivia.

A partir daí, não mais chorou desesperada, pensou - e contou - até mil, antes de chamar alguém, um desconhecido que fosse, para lhe ajudar e, claro, viu que "esvaziar" a cabeça de vez em quando, não a faria menor.
A partir daí, cansou de ouvir termos técnicos: "síndromes do pânico", "transtornos de ansiedade aguda", "depressões". Todas essas palavras e expressões, tão marcadas, tão repetidas, foram também se esvaziando de significado, como sua cabeça.

E assim como uma brisa, deixou-se ser etérea, menos terrena. Um tanto "cabeça na lua", para simplificar.
Não, não está curada. Mas não está mais cismada.

Sábado, Dezembro 15, 2007

Música digital?

Quem gosta de música, certamente já ouviu falar, nos últimos anos, em palavrinhas como “MP3”, “downloads”, expressões como “crise no mercado fonográfico”, “novos formatos de música”, “futuro do cd” etc etc etc. No meio desse bolo, decretou-se o fim da compra de cds para muito breve e a celebração dos novos formatos. De fato, as vendas diminuíram, e muitos artistas investem na Internet. Mas como explicar a proliferação, cada vez maior, de lojinhas de cds usados e barraquinhas de lps e cds? O problema, certamente, não parece estar no “formato cd”. Parece estar no “preço cd”. Somado a isso, por que não o problema dos lançamentos, cada vez piores? Afinal, quem gosta de música, não necessariamente gosta de música... ruim.

Outro dado: a era da nostalgia está aí: 60’s, 70’s, 80’s e quem mais chegar. DJS também estão aí, precisando de material (principalmente vinis). Tudo isso só faz somar o sucesso de tais barraquinhas e lojas especializadas, repare só, sempre lotadas. A festa agora se estende aos DVDs, que mesmo brigando por preços justos no mercado tradicional, acabam sendo consumidos com vontade nesse mercado, digamos, paralelo e não pirata.

Se os profetas do futuro apontam para a música digital, os sábios do passado continuam aumentando o crédito da música analógica.

Onde encontrar – Rio de Janeiro:

Lojas:
Musicale – Tijuca, Copacabana, Ipanema

Barraquinhas da Rua Pedro Lessa – vinis e cds

Sebos ( muitos!)

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

O outro

http://parangolesportes.blogspot.com/