“Há quem sambe muito bem”. Talvez não seja meu caso.
“Há quem sambe por gostar”. É, esse é meu caso.
“Há quem sambe por ver os outros sambar”. Sim, contagia.
A letra de “Eu sambo mesmo”, de Janet de Almeida – o mesmo de “Eu quero um samba” – é uma delícia. A levada do samba é inexplicável. Mais inexplicável ainda, é o que essa levada provoca: uma enorme vontade de balançar o corpo todo que, dependendo do lugar onde estejamos, acaba se resumindo a um balançar de pés, ainda que discretamente.
Janet lembrou, porém, que muitos dizem não gostar de samba, o que para ele, é uma máscara facilmente derrubada. Concordo. É claro que existem Sambas e sambas – só que eu falo aqui do Samba mesmo. Ou melhor, do SAMBA – e, sendo assim, é impossível não gostar de samba por muito tempo. Mas se você insiste em torcer o nariz, recomendo um “intensivão”: O “material didático”? Muito Noel Rosa, o próprio Janet de Almeida, Cartola, Nelson Sargento, Geraldo Pereira... assim você estará qualificado para a próxima série, que inclui uma noite deliciosa na Lapa, ao som de Teresa Cristina, Mart’nália, Roberta Sá, Lúcio Sanfilippo, Casuarina, e tantos outros “novos-puro-sangue” daquele que nem mais agoniza (e muito menos morre) Samba Brasileiro.