Terça-feira, Outubro 31, 2006

Orkutando a história

Andei fulçando antigos arquivos meus e me deparei com um texto, ainda recente (do final do ano passado) sobre o Orkut... decidi publicá-lo aqui, e devo mandá-lo para um professor querido da faculdade, que vai escrever justamente sobre o Orkut no editorial do jornal da FACHA.
Digam o que acharam, sinceramente (sempre!), para que dona Mariana aqui melhore o dito-cujo:

O que é o Orkut? Ou, se alguém preferir, quem é o Orkut? Afinal, Orkut Buyukkokten é o criador dessa, que talvez seja uma das maiores ferramentas de comunicação da atualidade. Só para mostrar que não estou exagerando, alguns dados:
- O número de brasileiros inscritos no Orkut é o maior de todo o mundo (isso prova que pelo menos aqui esse título de "uma das maiores ferramentas" faz justiça);
- A gratuidade é outro ponto que contribiu para a sua popularidade (ok, muitos acham uma gratuidade esquisita, afinal, é preciso ser convidado para se inscrever no site, mas isso não vem ao caso agora);
- O Orkut é extremamente fácil de se usar... não leva mais do que alguns minutos montar um perfil e existem instruções em português... "mamão-com-açúcar"...

Só que "nem tudo são flores". Essa mesma facilidade deixa transparecer uma grande fragilidade: a falta de segurança. Se qualquer um pode montar um perfil (bastando apenas um convite), qualquer tipo de perfil pode ser montado. Inclusive um que não seja o seu. Inclusive um que goste de espalhar aberrações, fotos, links suspeitos, e o que de mais sujo pode existir na Internet. Também não estou exagerando em afirmar isto, afinal, o Google (o "todo-poderoso" que administra quase tudo na Internet, incluíndo aí o Orkut), hoje, tem se preocupado muitíssimo com a segurança e privacidade dos usuários, e com o seu próprio nome. Aquele ideal de "lar" do Orkut, de "rede de amigos confiáveis" foi se tornando um outro tipo de lar: a casa-da mãe-Joana, afinal, anonimamente, todo mundo é muito "macho", muito valente: xinga e cospe em cima, debocha, inventa, reinventa, monta.

Mas calma. Antes de pensar em cometer o "orkuticídio" (neologismo criado para o cancelamento do perfil), lembre-se que o Orkut, como já dito láaaa em cima do texto, é uma das maiores ferramentas de comunicação dos últimos tempos e que, sendo bem podada, vai se livrar de várias arestas. Assim como toda a Internet, precisa de ajustes: controle, sim (e não censura, observe bem). Controle pesado. A comunicação pode ser virtual, mas os crimes que podem ser cometidos via esse tipo de ferramenta não podem ser considerados também virtuais. Se o "cara valente" é anônimo, "fake", "bogus", não interessa. Alguém de carne-e-osso, igualzinho a mim, igualzinho a você (real, portanto, suponho) o criou. E deve aparecer, essa "Margarida".

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Os escafandristas estão chegando...

"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você".

Não se afobe não, Mariana, que nada é pra já (ou é?)... futuros amantes, passados amantes, "amores serão sempre amáveis" (ou não)...

Seja ou não seja, Chico Buarque numa segunda-feira que não sabe a que veio, que não se descobriu ensolarada ou nublada, é sempre bem-vindo.

Desculpe a todos os (3?) leitores do blog. Sumi. Mas voltei... eu sempre volto.

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Boas novas

Meus posts têm andado muito sérios... até demais.
Será que sou assim tão séria?

será -séria
séria - seria

Não, o joguete vagabundo de palavras não funcionou. Sobram-me, portanto, as besteiras, as abobrinhas, as futilidades, as amenidades.
Bom, não exageremos... sobram-me, portanto, as.... as.... novidades.

1) Tim Festival vem aí. Atrações? Céu, Thievery Corporation, Herbie Hancock, Daft Punk, Ivan Lins, Mombojó, Patti Smith. Tá, tem mais. Mas essas são as melhores (na minha velha e humilde opinión);
2) Vasco da Gama caiu para 7o na tabela do Brasileirão... Tá... pula essa;
3) A Itália venceu, no sábado, o primeiro jogo na era Donadoni. Não sei não, mas tô achando essa era uma merda. Com todo o respeito... e por que diabos Pirlo tem jogado recuado? hein? Hein? Post futebolístico e trincado, numa próxima ocasião;
4) O Diabo veste Prada já estreou no cinema. Diabão chique esse, não?
5) O Festival do Rio se despediu da cidade no dia 5. Um tantinho fraco, poucas novas, muitas caras velhas (mas nem por isso piores, claro... Almodóvar é bacana, de fato. Mas a falta de filmes vibrantes põe os cinéfilos com os cabelos um tanto arrepiados). Na cena brasileira, O céu de Suely foi o destaque. Quero muito ver esse filme;
6) A Intrépida Trupe volta aos palcos com um espetáculo bem bacana, remetendo ao futebol. Ótimo. É esse o tema para o próximo post.

Au revoir.

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Gente é pra brilhar?

"Porque viver apenas não basta.
Não basta, não basta. É preciso uma convicção, certa ou errada, mas uma convicção, e conscientemente escrever, falar, brigar, viver por ela."
(Fernando Sabino)

Estou com esse trecho na cabeça. Uma amiga me emprestou o livro "Cartas perto do coração", um troca de correspondências entre Clarice Lispector e Fernando Sabino e já, de cara, mexeu muito comigo. Já me emocionei com várias cartas, já anotei diversos trechos... todos, até agora, me fizeram pensar. Muito. Pensar na minha própria vida, pensar na vida, pensar nas pessoas, o que de fato elas são, o que representam, o que parecem ser, o que parecem representar, o que podem ser, o que podem representar. Ufa! Ser "gente" não é fácil... é estar aberto como um cadáver na mesa do laboratório anatômico (aliás, nada mais "gente" do que um cadáver), sendo dissecado pelo ávido estudante de medicina... é achar que é muito "gente" porque veste a roupinha da moda, come no restaurante da moda e cospe as gírias da moda... é achar que, de fato, é Gente. Com "G" maiúsculo. Não, não é. Não somos. Talvez Gente é na revista, é na TV, é em Hollywood.

Mas Sabino diz que "viver apenas não basta e é preciso brigar por uma convicção". Talvez isso faça parecer que estamos vivos, que somos vivos. Que somos. Doce ilusão.

Mas às vezes parece ser mesmo melhor viver nas sombras da ilusão. Desculpe, Platão.
"Invejo a burrice porque é eterna".
(Nelson Rodrigues)